<10.10.05>

O átrio.

O átrio parecia exalar um mau cheiro, à luz daquela lâmpada esverdeada. As grades ferrugentas, a tinta branca descascada há já bastantes anos, formavam ali como que uma pequena varanda. Alguns degraus das escadas estavam sujos com o vómito de adolescentes que às vezes ali se sentavam, de madrugada, a beber cerveja barata e a fumar charros. Ao pé de um caixote castanho, encostado a um pilar marcado com frases obscenas, lixo cobria parte do chão, encharcado aqui e ali pela água suja que saía de um cano rebentado.


O vidro era fino, fino demais para afastar este cenário de quem estivesse dentro do prédio. O átrio era corrupto, já o era há muito tempo e a pálida luz de nada servia...

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